Peak shaving e baterias: como empresas do Grupo A podem reduzir picos de demanda

Sala elétrica industrial com painéis de medição, sistema BESS e curva luminosa representando pico de demanda

Empresas do Grupo A costumam olhar para a conta de energia apenas pelo consumo em kWh. Mas, em muitos casos, uma parte importante do custo está em outro ponto: a demanda em kW.

Indústrias, hotéis, supermercados, fazendas, salinas, centros comerciais, hospitais e operações com motores, refrigeração, bombeamento ou equipamentos de maior potência podem ter picos de demanda que impactam diretamente a fatura.

É nesse contexto que entra o peak shaving, uma estratégia de gestão energética que pode usar baterias/BESS para reduzir ou controlar picos de demanda.

Mais do que simplesmente armazenar energia, o BESS pode atuar como uma ferramenta de inteligência energética para empresas que precisam ganhar previsibilidade, reduzir custos e melhorar a operação elétrica.

O que é peak shaving?

Peak shaving significa, em tradução livre, “corte de picos”.

Na prática, é uma estratégia para reduzir os momentos em que a empresa exige muita potência da rede elétrica em um curto intervalo de tempo.

Imagine uma operação em que vários equipamentos ligam ao mesmo tempo: motores, bombas, câmaras frias, compressores, ar-condicionado, máquinas de produção ou sistemas de irrigação.

Mesmo que esse pico dure pouco, ele pode elevar a demanda registrada e gerar impacto na fatura.

O peak shaving busca evitar esse comportamento. A ideia é manter a demanda dentro de um limite mais controlado, usando recursos como:

  • baterias/BESS;
  • gestão de cargas;
  • automação;
  • energia solar;
  • geradores;
  • ajustes operacionais;
  • controle de partidas de motores;
  • revisão da demanda contratada.

Quando bem aplicado, o BESS pode descarregar energia justamente nos momentos em que a operação se aproxima de um pico, ajudando a reduzir a potência solicitada da rede.

Por que isso importa para empresas do Grupo A?

Empresas atendidas em média ou alta tensão, normalmente classificadas no Grupo A, não pagam apenas pela energia consumida em kWh.

Elas também lidam com componentes como:

  • demanda contratada;
  • demanda medida;
  • horário de ponta e fora ponta;
  • modalidade tarifária verde ou azul;
  • possíveis ultrapassagens de demanda;
  • encargos e tributos;
  • qualidade do perfil de consumo.

Ou seja: duas empresas com consumos parecidos podem ter contas bem diferentes dependendo de como usam energia ao longo do dia.

Uma empresa que concentra muita carga em poucos momentos pode ter picos elevados. Isso pode gerar uma demanda contratada maior do que o necessário ou risco de ultrapassagem.

Por isso, para esse tipo de consumidor, reduzir consumo é importante, mas controlar demanda também pode ser decisivo.

Se a sua empresa ainda está entendendo esse tema, veja também o artigo sobre demanda contratada e custos do Grupo A.

Como o BESS ajuda no peak shaving?

O BESS, sigla para Battery Energy Storage System, é um sistema de armazenamento de energia em baterias.

Em uma aplicação de peak shaving, ele funciona de forma estratégica.

De maneira simplificada, o processo acontece assim:

  1. A bateria é carregada em um momento mais conveniente, que pode ser durante o período de menor carga, fora ponta ou com energia solar.
  2. O sistema monitora a demanda da empresa em tempo real.
  3. Quando a demanda se aproxima de um limite definido, a bateria entra em operação.
  4. O BESS fornece parte da potência necessária, reduzindo a energia exigida da rede naquele instante.
  5. Com isso, a empresa pode evitar ou reduzir picos de demanda.

O objetivo não é necessariamente alimentar toda a empresa com baterias. Muitas vezes, a aplicação correta é mais estratégica: atuar nos momentos críticos para suavizar a curva de carga.

Exemplo simples

Imagine uma empresa que normalmente opera com demanda próxima de 300 kW, mas em determinados momentos chega a 420 kW por causa de partidas de motores ou uso simultâneo de equipamentos.

Se esses picos forem frequentes, a empresa pode precisar contratar uma demanda mais alta ou lidar com ultrapassagens.

Com um BESS bem dimensionado, a bateria pode fornecer parte dessa diferença durante os picos.

Por exemplo:

SituaçãoDemanda
Demanda normal da operação300 kW
Pico momentâneo420 kW
Apoio do BESS80 kW
Demanda vista pela rede340 kW

Esse é o princípio do peak shaving: reduzir o pico percebido pela rede, sem necessariamente mudar toda a operação da empresa.

Peak shaving não é a mesma coisa que backup

Um erro comum é pensar que bateria serve apenas para backup.

Backup é quando a bateria mantém cargas funcionando durante falta de energia.

Peak shaving é diferente. Nesse caso, a bateria atua mesmo com a rede elétrica disponível, ajudando a controlar os picos de demanda.

Na prática, um mesmo BESS pode ser estudado para diferentes funções:

  • backup de cargas críticas;
  • redução de picos de demanda;
  • uso de energia solar fora do horário de geração;
  • apoio à operação em horário de ponta;
  • redução do uso de gerador;
  • aumento da segurança energética;
  • melhoria da previsibilidade operacional.

Mas cada aplicação exige um dimensionamento diferente.

Por isso, antes de propor baterias, é essencial entender qual problema a empresa quer resolver. Se o foco for continuidade em falhas da rede, também vale ler sobre baterias para backup de energia em empresas.

Quando o peak shaving pode fazer sentido?

O peak shaving com BESS tende a ser mais interessante para empresas que possuem:

  • demanda contratada relevante;
  • histórico de ultrapassagem de demanda;
  • picos recorrentes na operação;
  • consumo concentrado em determinados horários;
  • motores, bombas ou compressores;
  • refrigeração;
  • produção contínua;
  • operação em horário de ponta;
  • energia solar já instalada ou prevista;
  • gerador a diesel com uso frequente;
  • necessidade de maior previsibilidade energética.

Alguns exemplos de operações onde essa análise pode fazer sentido:

  • indústrias;
  • salinas;
  • fazendas com irrigação;
  • carcinicultura e aquicultura;
  • supermercados;
  • hotéis e resorts;
  • hospitais e clínicas;
  • centros logísticos;
  • postos de combustível;
  • empresas com câmaras frias;
  • operações com motores de maior porte.

Nesses casos, a discussão não deve ser apenas “quanto custa uma bateria?”, mas sim:

Qual problema energético a bateria vai resolver?

O risco de dimensionar bateria apenas pelo consumo

Um ponto importante: BESS não deve ser dimensionado apenas pela média de consumo mensal.

Para aplicações de peak shaving, o consumo em kWh é só uma parte da análise.

É preciso avaliar também:

  • curva de carga;
  • demanda medida;
  • demanda contratada;
  • horários dos picos;
  • duração dos picos;
  • simultaneidade de cargas;
  • potência dos motores;
  • corrente de partida;
  • método de acionamento;
  • cargas críticas;
  • perfil de geração solar, se houver;
  • objetivo financeiro ou operacional do projeto.

Uma bateria dimensionada apenas com base na conta de energia pode ficar errada.

Ela pode ser pequena demais para reduzir os picos ou grande demais, encarecendo o projeto sem necessidade.

Energia solar e BESS: uma combinação estratégica

Empresas que já possuem energia solar podem ter uma oportunidade adicional.

Durante o dia, o sistema solar reduz o consumo vindo da rede. Em alguns casos, parte da energia pode ser armazenada para uso em horários estratégicos.

Combinando energia solar, BESS e gestão de demanda, a empresa pode estudar aplicações como:

  • reduzir demanda em momentos críticos;
  • usar energia armazenada em horário de ponta;
  • melhorar aproveitamento da geração solar;
  • reduzir dependência da rede;
  • apoiar cargas críticas;
  • aumentar segurança energética.

Mas isso precisa ser analisado com cuidado.

Nem toda empresa com solar precisa de bateria. E nem toda bateria fecha financeiramente apenas pela economia na conta.

O estudo precisa considerar custo do sistema, vida útil, ciclos de operação, perdas, tarifa, demanda, perfil de consumo e benefício operacional.

O ganho financeiro nem sempre está só na economia direta

Em algumas empresas, o BESS pode gerar economia direta pela redução de demanda, melhor uso da energia solar ou menor consumo em horários caros.

Em outras, o ganho principal pode ser operacional.

Por exemplo:

  • evitar parada de produção;
  • reduzir uso de gerador;
  • manter cargas críticas funcionando;
  • evitar perda de produtos refrigerados;
  • aumentar previsibilidade;
  • reduzir risco em redes instáveis;
  • permitir expansão onde a rede tem limitação.

Para muitas operações, energia não é apenas custo.

Energia é continuidade, produção, segurança e capacidade de crescimento.

Como avaliar se o peak shaving vale a pena?

O caminho mais seguro é fazer um estudo de viabilidade técnico-financeira.

Esse estudo deve responder perguntas como:

  1. A empresa tem picos de demanda relevantes?
  2. Esses picos acontecem em quais horários?
  3. Quanto tempo eles duram?
  4. Eles são causados por quais cargas?
  5. Existe ultrapassagem de demanda?
  6. A demanda contratada está adequada?
  7. Existe energia solar instalada?
  8. Existe gerador?
  9. Quais cargas são críticas?
  10. Qual seria o papel da bateria: economia, backup, segurança ou expansão?

Com essas respostas, é possível criar cenários.

Por exemplo:

  • cenário conservador: BESS para redução parcial de pico;
  • cenário intermediário: BESS para peak shaving + cargas críticas;
  • cenário robusto: BESS integrado com solar, gerador e gestão energética.

A proposta final só deve vir depois dessa análise.

Quais dados são necessários?

Para uma análise inicial, é recomendável levantar:

  • últimas contas de energia;
  • modalidade tarifária;
  • demanda contratada;
  • demanda medida;
  • consumo ponta e fora ponta;
  • histórico de ultrapassagem;
  • existência de energia solar;
  • existência de gerador;
  • principais cargas da operação;
  • lista de motores;
  • horários de funcionamento;
  • cargas críticas;
  • objetivo do projeto.

Para uma análise mais precisa, o ideal é ter:

  • curva de carga;
  • memorial de cargas;
  • diagrama unifilar;
  • medição com analisador de rede;
  • dados de partida de motores;
  • perfil real de operação.

Quanto melhor o diagnóstico, menor o risco de investir em uma solução mal dimensionada.

Bateria não é produto de prateleira

Um ponto essencial: BESS não deve ser tratado como um produto de prateleira.

Em uma empresa, principalmente quando há motores, bombas, refrigeração, subestação ou operação contínua, o dimensionamento precisa considerar a realidade da carga.

A potência da bateria, a capacidade em kWh, o inversor/PCS, a lógica de controle, a integração com a rede, a energia solar e o gerador precisam trabalhar de forma coordenada.

Sem isso, o sistema pode não entregar o resultado esperado.

Por isso, a primeira etapa não deve ser simplesmente pedir uma proposta comercial.

O melhor caminho é começar por um estudo técnico-financeiro.

Perguntas frequentes sobre peak shaving e BESS

Peak shaving reduz a conta de energia automaticamente?

Não necessariamente. Ele pode reduzir custos quando existe impacto relevante de demanda, ultrapassagem ou uso concentrado em horários estratégicos. A economia depende da fatura, da modalidade tarifária, da curva de carga e do custo da solução.

BESS substitui o gerador?

Nem sempre. Em muitos casos, BESS e gerador são complementares. A bateria pode responder rapidamente, apoiar cargas críticas e reduzir partidas curtas, enquanto o gerador pode continuar sendo útil para contingências mais longas.

Uma empresa com energia solar precisa obrigatoriamente de bateria?

Não. A bateria deve ser avaliada quando existe uma aplicação clara: backup, peak shaving, uso em horário estratégico, melhoria de segurança energética ou melhor aproveitamento da geração. Sem essa análise, o investimento pode não fazer sentido.

É possível dimensionar BESS só pela conta de energia?

A conta ajuda, mas não é suficiente para dimensionamento final. Para peak shaving, é importante entender demanda, curva de carga, duração dos picos, cargas críticas, motores e regime de operação.

Quais empresas devem avaliar peak shaving?

Empresas do Grupo A com demanda relevante, motores, refrigeração, bombeamento, operação contínua, horário de ponta ou histórico de ultrapassagem são boas candidatas para uma análise inicial.

Conclusão

O peak shaving com BESS pode ser uma estratégia interessante para empresas do Grupo A que enfrentam picos de demanda, custo elevado com energia, operação crítica ou necessidade de maior previsibilidade.

Mas a viabilidade depende do perfil real da operação.

Antes de investir em baterias, a empresa precisa entender:

  • onde estão os picos;
  • quanto eles custam;
  • por que acontecem;
  • quais cargas estão envolvidas;
  • qual seria o papel do BESS;
  • se a economia ou o benefício operacional justificam o investimento.

Na prática, baterias podem ser muito mais do que backup.

Elas podem fazer parte de uma estratégia de gestão energética para reduzir picos, integrar energia solar, proteger cargas críticas e aumentar a segurança da operação.

Para empresas com alto consumo, motores, horário de ponta ou demanda contratada relevante, esse pode ser um caminho importante para transformar energia em vantagem operacional.

A Fontes Soluções Energéticas realiza análise técnica para empresas que desejam avaliar energia solar, BESS, demanda contratada, backup e segurança energética.

Antes de investir em baterias, avalie se a solução faz sentido para a sua operação.

Solicite um estudo de viabilidade energético para sua empresa ou propriedade rural.

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